Deputados pretendem avançar reforma da previdência de portas fechadas

Conhecida como a “Casa do Povo”, a Câmara dos Deputados não será mais dele. Pelo menos nesta semana, quando o governo pretende concluir, de portas fechadas, a votação de 12 destaques na Comissão Especial que analisa a reforma da previdência, que retira vários direitos da população.

A direção da Casa restringiu o acesso ao público hoje e amanhã (10). Apenas parlamentares, funcionários e pessoas credenciadas poderão transitar nas dependências da Câmara.

Para o presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundo de Pensão (Anapar), Braulio de Carvalho, isso é inadmissível. “Cercear o direito da população de acompanhar essa votação é inaceitável. Querem retirar direitos dos trabalhadores de forma sorrateira, sem nenhuma transparência. Isso é inadmissível”, destaca.

Depois de analisada pela comissão, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 precisa ser votada em dois turnos no plenário da Câmara, com pelos menos 308 votos para ser aprovada e encaminhada para análise do Senado. O governo ainda não tem esses votos e articula uma série de vantagens aos deputados e à mídia, como verbas de publicidade, emendas, cargos e anistia de dívidas de parlamentares empresários para conseguir.

Na quarta-feira passada (3), a comissão aprovou o relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA). Os deputados já rejeitaram 38 destaques simples, por 22 votos a 14.

A reforma fixa idades mínimas de aposentadoria de 62 anos para as mulheres e 65 anos, para homens. Essas faixas etárias serão alcançadas até 2038, de acordo com a proposta. Também será elevado gradualmente o tempo de contribuição mínimo, de 15 anos para 25 anos.

Quem já está no mercado de trabalho terá de cumprir um pedágio de 30% sobre o período que faltar para completar o tempo de contribuição vigente:  35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres.

Scroll To Top