Governo aprova destaques, mas ainda não tem votos para aprovar reforma da previdência

Prometendo liberar cargos, emendas, anistia aos parlamentares empresários e ruralistas devedores do fisco e mais verba de publicidade para a mídia, o governo Temer conseguiu aprovar a grande maioria dos destaques à reforma da previdência na Comissão Especial, votados nesta terça-feira (9). Agora, a matéria será apreciada no plenário da Câmara e precisa de 308 votos para ser aprovada. A oposição avalia que o governo ainda não tem data marcada para colocar o texto em votação, mas membros da base aliada acham que a proposta pode ser votada no final de maio.

O governo Temer, que tem apenas 4% de aprovação popular, não tem os votos necessários para aprovar no plenário a matéria, que é totalmente impopular por ser bastante prejudicial à classe trabalhadora. Por isso, a base aliada só vai colocar o texto para ser votado com todos os acordos feitos para garantir alguma margem de folga. A expectativa é ter cerca de 320 votos dos 513.

O governo está com uma lista de parlamentares para a liberação de emendas parlamentares para bancar obras em suas bases eleitorais. Segundo fonte no Planalto, aqueles que se comprometerem a votar favoravelmente à matéria receberão a verba em três semanas, o que coincide com a data de final de maio.

Com a liberação imediata de mais verbas de publicidade para a mídia, hoje o noticiário amanheceu repleto de matérias nos jornais, sites, rádios e TVs favoráveis à aprovação da reforma da previdência. O objetivo é convencer a população a perder direitos. Tarefa nada fácil. Se o texto vier a ser aprovado, a reforma retira direitos históricos de quem está na ativa, trabalhando, assim como de quem está prestes a se aposentar. Em síntese, é trabalhar por mais tempo para receber menos dinheiro na aposentadoria.

Dos dez destaques votados, apenas um foi aprovado. O que permite que quaisquer ações contra o INSS sejam concentradas nas Justiças estaduais. Hoje, só ações referentes a acidentes de trabalho podem tramitar em varas estaduais. O governo Temer pretende concentrar tudo na Justiça Federal para dificultar a vida dos trabalhadores.

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