Câmara dos Deputados censura vídeo institucional da Anapar em homenagem à entidade

Terminou na noite desta sexta-feira (26) o XVIII Congresso Nacional da Anapar, que aconteceu este ano em Brasília. Foram dois dias de debates sobre previdência pública e complementar.

O 18º Congresso começou com uma cerimônia de homenagem aos 16 anos da Anapar, no plenário da Câmara dos Deputados. Um desconforto criado pela direção da Casa causou um mal estar antes mesmo da sessão solene iniciar.

Na véspera do Congresso, a secretaria de Comunicação da Câmara censurou o trecho com a fala do presidente Antônio Braulio de Carvalho que seria exibido em vídeo institucional da entidade. Braulio apenas se manifestou contrário a propostas que retiram direitos da classe trabalhadora. Veja o vídeo

Parlamentares atribuíram a censura à difícil realidade no País, em decorrência do governo ilegítimo, arbitrário e autoritário de Michel Temer.

A deputada Érika Kokay (PT-DF) criticou o estado de sítio em que ficou Brasília, após o ato Ocupa Brasília, que reuniu cerca de 200 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios na quarta-feira (24). Até as forças armadas foram convocadas.

A PM-DF reprimiu duramente os manifestantes com cassetetes, bombas, balas de borracha e até munição letal. Uma pessoa ficou seriamente ferida com um tiro no maxilar e encontra-se hospitalizada.

Após a sessão solene, o sociólogo e cientista político Emir Sader analisou a difícil conjuntura brasileira. Segundo ele, a desregulamentação de vários setores da economia levou a transferência brutal de recursos do setor produtivo para o setor financeiro.

“Antes crescíamos 7, 8%. Agora, crescer 1% já é uma super vitória. Isso porque a produção brasileira vem perdendo cada vez mais força em detrimento da especulação financeira, que lucra mais de R$ 500 bi só de juros com a dívida pública”, explica. “É muito mais lucrativo e menos trabalhoso especular do que produzir”, acrescenta.

“Não por acaso vocês estão no olho do furacão”, disse Sader aos participantes de fundo de pensão. “Isso porque o sistema financeiro quer todas as aposentadorias complementares”, frisou. Somados todos os recursos das entidades de fundo de pensão no País, que gerenciam o futuro da classe trabalhadora, passam de R$ 800 bilhões.

A deputada Maria do Rosário criticou o PLP 268, que prevê a entrega dos fundos de pensão para bancos e seguradoras. Segundo ela, “quem melhor cuida do que é seu é o dono. Por isso os fundos de pensão precisam ficar nas mãos de quem pertence, ou seja, com os participantes.

Rosário também criticou o voto de qualidade no Conselho Deliberativo e disse que é isso que está levando os fundos de pensão a sérios prejuízos. “Quem define onde são feitos os prejuízos que responda por isso”, finalizou.

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