Após vitória na Câmara, reforma da Previdência é prioridade do governo

Os deputados arquivaram ontem (2), com 263 votos, a denúncia pelo crime de corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Os governistas afirmam que agora a prioridade é votar a reforma da Previdência. O quórum para aprovar a proposta requer 308 votos.

Preocupados em se reeleger no ano que vem, uma vez que muitos parlamentares investigados precisam manter o foro privilegiado, os deputados não querem se desgastar ainda mais com o eleitorado. Temer perdeu mais de 60 votos de sua base aliada ontem. Partidos que vêm sustentando o governo, aprovando matérias que retiram direitos dos trabalhadores, como o PSDB, DEM, PSD e o próprio PMDB, deram 46 votos pela continuidade das investigações.

“Pesquisas mostram que grande parte da população é contra essa proposta de reforma da Previdência que está colocada pelo governo. Os parlamentares são sensíveis aos apelos do mercado, mas sabem que é nas suas bases que estão os votos”, afirma o presidente da Anapar, Antonio Braulio de Carvalho.

O quadro pode ficar bem mais imprevisível para Temer com a próxima denúncia do procurador-geral da República. O surgimento de novas delações também pode piorar a situação do governo. Ainda sim, os principais aliados do governo se apressaram ontem para dizer que a reforma da Previdência será prioridade. “Temos que retomar e concluir a reforma da Previdência”, afirmou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também delatado na operação Lava Jato por corrupção passiva.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também acusado de receber propina da Odebrecht, disse que o governo precisa “juntar os cacos após a votação”. “O governo teve mais de 250 votos para barrar a denúncia. Olhando para o futuro, precisa reorganizar a base para que a gente possa aprovar as reformas”, disse.

O presidente da Anapar chama atenção para a importância a mobilização dos trabalhadores nesse momento. “A população precisa estar atenta, cobrar seus parlamentares e questionar a retirada de direitos contida nessa proposta”, enfatiza Carvalho.

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