A democracia atrapalha o neoliberalismo, aponta professor da UFRJ no XII Encontro de Dirigentes

O consenso de Washington, colocado em prática na década de 80, nunca deixou de estar em atividade, mesmo sendo rejeitado pela população em diversos países. É o que avalia o professor de Economia da UFRJ, João Sicsú, em sua palestra ministrada no XII Encontro de Dirigentes de Fundo de Pensão, realizado em parceria pela Anapar e pela Fenae, em Brasília, no final de outubro.

O professor analisou o cenário econômico brasileiro e a influência da economia mundial nas décadas passadas. “Quando tem a virada dos anos 70 para 80, há o rompimento da harmonia do capital com o social que existiu durante 35 anos”, lembra.

Segundo ele, o consenso de Washington – que se consolidou durante os governos da Inglaterra e EUA com Margaret Thatcher e Ronald Reagan – tinha uma pauta de austeridade fiscal com privatizações e ajustes fiscais, que continua presente até hoje, na discussão sobre economia no Brasil e em vários países.

“Essas ideias foram implementadas em várias partes do mundo e foram derrotadas nas urnas. Todos os governos que fizeram esse movimento perderam as eleições. A questão é, o consenso de Washington percebeu que a política e a democracia atrapalham a implementação dessas ideias e é nesta situação que estamos vivendo”, explica Sicsú.

Assista a palestra 

Para o presidente da Anapar, Antônio Braulio de Carvalho, a explicação se adéqua perfeitamente à realidadedo Brasil no período do governo de Michel Temer.

“O governo Temer é ilegítimo porque não foi eleito. Por isso tem colocado em prática um pacote de medidas antipopulares que jamais seria aceito pela população. Nenhum eleitor aprovaria o congelamento de investimentos sociais, a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita, privatizações e ameaças de reformar a previdência”, esclarece.

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