Fundos de pensão precisarão diversificar investimentos para alcançar resultados

Diversificar os investimentos foi a sugestão de Guilherme Benites, consultor financeiro e sócio da Aditus, durante sua palestra durante o XII Encontro de Dirigentes da Anapar, realizado no mês passado em Brasília. “Vivendo num mundo de juros muito mais baixos, a partir de agora, as entidades devem diversificar seus investimentos. Devem buscar algum instrumento com mais risco, mas ainda seguro, que seja suficiente para cumprir as metas atuariais num cenário em que a renda fixa deixa de ser a única referência que se tinha para compor as carteiras dos fundos de pensão”, defendeu.

Em sua palestra “Crise Econômica e os Fundos de Pensão: Riscos, Controles e Oportunidades”, Benites apresentou um panorama sobre a situação atual da economia, como os fundos de pensão têm agido em relação aos seus investimentos para alcançar suas metas atuariais, e como o cenário econômico mudou, levando os fundos a reverem suas políticas de investimento para os próximos anos. Segundo o palestrante, a maioria dos fundos terá de rever suas estratégias de investimentos devido à inflação baixa, como as aplicações em renda fixa e papeis do tesouro, nas quais a rentabilidade não será o suficiente para bater a meta atuarial. “Já há preocupação nas entidades em relação à menor rentabilidade da renda fixa. Com isso, parte dos recursos administrados pelos fundos deve ser direcionada para a bolsa de valores e outros tipos de investimentos, como o mercado de dívida de empresas privadas”, disse o especialista.

O consultor deixou claro que as entidades precisarão ser mais arrojadas apostando em investimentos de maior risco e os dirigentes terão de assumir uma gestão transparente com atenção à governança e análise de risco. “Estamos numa situação muito peculiar com relação à tomada de risco, já vivemos um cenário parecido com esse que estamos vivendo hoje em 2012”, afirmou. O consultor lembrou que a própria Previc, em seu relatório apresentado recentemente, é pró- tomada de risco. “O próprio regulador reconhece essa necessidade de tomar mais risco de forma estruturada. Todo mundo sabe que é preciso fazer alguma coisa, mas o fazer em si não é trivial”, ressaltou.

Assista à palestra

Antonio Braulio de Carvalho, presidente da Anapar avaliou que é fundamental que os dirigentes mantenham firme o compromisso com a gestão transparente e a defesa do patrimônio dos participantes. “Os títulos públicos não darão conta da rentabilidade que precisamos alcançar. O risco faz parte do negócio, o que temos que fortalecer cada vez mais são as formas de mitigação desse risco, por meio de uma governança cada vez mais sólida”.

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