Temer quer reduzir restrições no uso de agrotóxicos para atrair votos de ruralistas na reforma da Previdência

Tudo leva a crer que o governo não deve conseguir os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência. Mas para o presidente da Anapar, Antônio Braulio de Carvalho, os trabalhadores têm que manter a mobilização.

“Precisamos continuar muito alertas e mobilizados. Não podemos esmorecer até o dia 19 de fevereiro, para quando está prevista a votação da matéria”, alerta Braulio.

E essa preocupação faz todo o sentido. Para além do noticiário, que tenta dar um ar de normalidade às negociações, a articulação política de Temer atua sorrateira e sórdida, com perseguições a quem se opõe ao projeto e premiações para os que se dispõem à sacrificar ainda mais a classe trabalhadora, com a  aprovação da PEC 287/16. Além de elevar a idade para a aposentadoria, a aprovação da PEC aumentará muito o tempo de contribuição, pois, caso contrário a queda do valor do benefício será imensa.

Segundo levantamento do governo, ainda estariam faltando cerca de 40 votos. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chegou a dizer nesta semana que “não há votos para aprovar a reforma da Previdência”.

No entanto, a equipe de Temer segue trabalhando com a liberação de emendas, cargos, mudanças ministeriais, terrorismo psicológico com as contas públicas e até novas alterações no texto. Além disso, o governo pretende conseguir os votos que ainda faltam oferecendo ainda mais benesses aos ruralistas.

Por outro lado, os deputados latifundiários do Brasil estariam dispostos a aprovar o texto se o governo se mostrar receptivo aos pleitos da bancada, dentre eles, a flexibilização das medidas restritivas ao uso de agrotóxico. Essa seria a moeda de troca.

“De um governo que não se preocupa com a saúde da população,  que demonstra estar disposto a qualquer coisa para contemplar os interesses dos empresários, ruralistas, banqueiros, que são seus mantenedores, não podemos subestimar em nenhuma hipótese os seus limites”, avalia Braulio. “Só nos resta continuar atentos e firmes para derrotarmos essa proposta”, acrescenta.

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