Temos acompanhado com extrema preocupação o desenrolar de um
dos embates mais eloqüentes de resistência dos participantes na
defesa de seu patrimônio e contra a entrega de seu Fundo de Pensão
a grupos políticos cujos interesses divergem frontalmente daqueles dos
participantes e assistidos – o dos funcionários ativos e aposentados
de Furnas Centrais Elétricas.
A
resistência empreendida pela Fundação Real Grandeza
envolve sindicatos, associações de empregados e de aposentados,
conselheiros deliberativos eleitos e indicados pela patrocinadora, conselheiros
fiscais e a Diretoria Executiva. Todos vêm empreendendo uma verdadeira
batalha pela preservação do patrimônio do fundo contra
os atos promovidos pela diretoria da patrocinadora Furnas que pretende, em
afronta à legislação e contra a vontade da maioria, substituir
o Presidente e o diretor de Investimentos, sem apresentar qualquer motivação.
E, pior, desconsiderando que os atuais dirigentes empreenderam um processo
de melhoria nos padrões de gestão da entidade de maneira a reduzir
riscos e melhorar a rentabilidade e a segurança nas aplicações.
A
preocupação manifesta pelos participantes e por suas entidades
representativas decorre das vultosas perdas com investimentos verificadas em
gestões anteriores. Graças a trabalho sério desempenhado
nos últimos dois anos, a entidade vem apresentando excelente resultado,
limpou sua imagem junto ao mercado e conquistou a confiança
de seus verdadeiros donos: os participantes e assistidos.
A
diretoria de Furnas tem promovido atos temerários que ferem mortalmente
a independência da gestão do fundo. Derrotada pelo Conselho Deliberativo
em sua proposta de substituição dos Diretores, pressionou os
conselheiros indicados por ela a renunciar e ameaçou-os com ações
judiciais, afrontando a sua estabilidade, garantida na legislação
e no próprio estatuto da entidade. A direção da empresa
tem dificultado a gestão do fundo retardando a deliberação
de matérias de sua competência – alterações
estatutárias e regulamentares – e chegou a paralisar, unilateralmente,
as suas contribuições para o custeio administrativo.
De
maneira ilegal, a diretoria de Furnas determinou ao Conselho Deliberativo
da entidade que alterasse os
mandatos da atual diretoria, não permitindo
sua recondução, atingindo inclusive o direito dos participantes
em reeleger alguns dos dirigentes – Ouvidor e Diretor de Seguridade.
Tudo isto sem qualquer processo de negociação ou entendimento
com participantes, entidades representativas ou com os próprios dirigentes
da Fundação.
Por último, está agora tentando alterar normativo interno de
Furnas no sentido de cassar a cessão dos empregados indicados para o
cargo de Diretor Presidente e de Investimentos, provocando a reação
imediata dos participantes e assistidos que manifestaram publicamente seu repúdio
em ato na porta da empresa.
Todas
estas medidas parecem ter o objetivo único de substituir a atual
diretoria por pessoas indicadas por determinada liderança política
fluminense de triste memória para os fundos de pensão. Tal político
fez indicações para a diretoria de outro fundo de pensão – a
PRECE – em anos passados e a gestão destes senhores provocou prejuízos
irreparáveis às reservas dos participantes.
Diante
da gravidade dos fatos, senhores Ministros, solicitamos vossa interferência
para que não se consume a troca de dirigentes que possa colocar em risco
o patrimônio dos participantes. Se isto ocorrer, de nada adiantará toda
a preocupação da legislação e a edição
de normas regulamentares que objetivam aperfeiçoar mecanismos de controle
e gestão das entidades de previdência.
José Ricardo Sasseron
Presidente