No
dia 16 de setembro, a Anapar e os presidentes do Sindicato dos Telefônicos
do Rio Grande do Sul (Flávio Rodrigues) e da Associação
dos Aposentados da CRT (Roberto Bossle) se reuniram com o Secretário
da Previdência Complementar, Dr. Ricardo Pena, para cobrar providências
e posicionamento daquela Secretaria com respeito a várias denúncias
envolvendo a Fundação BrTPrev. Denúncias e dossiês
foram encaminhados desde o ano de 2005 sem que a SPC tenha tomado qualquer
providência ou tenha encaminhado qualquer resposta aos legítimos
representantes dos participantes e assistidos.
A Fundação BrTPrev é patrocinada pela Brasil Telecom e é a
sucessora da Fundação CRT, entidade patrocinada originalmente
pela Companhia Riograndense de Telefonia, que foi adquirida pela Brasil Telecom,
no processo de privatização. Na época da privatização
houve a tentativa de migração dos participantes do plano BD original
para um plano CD. A migração foi barrada na Justiça pelas
entidades de classe, o que ocasionou um acordo entre Sindicato, Associação
e empresa, aprovado em assembléia massiva dos trabalhadores. O acordo
foi homologado judicialmente após a elaboração de um novo
plano que trazia uma série de garantias aos participantes. Houve a migração
da grande maioria dos participantes, mas aos poucos cláusulas do acordo
homologado judicialmente vêm sendo descumpridas pela Fundação
BrTPrev e pela Brasil Telecom.
Denúncias e falta de providências – Dentre as questões
levantadas pelo Sindicato, Associação dos Aposentados e Anapar,
estão as seguintes:
•
irregularidades na gestão da Fundação BrTPrev, administrada
pelos mesmos gestores da Fundação 14, também patrocinada
pela Brasil Telecom;
•
alteração de premissas atuariais sem estudo prévio de
aderência, o que causou a rejeição do balanço
de 2005 pelo Conselho Fiscal;
•
descumprimento do estatuto da Fundação durante o processo eleitoral
de 2007, ocasião em que a entidade alterou o regimento eleitoral de
maneira autoritária, dificultou a campanha dos candidatos e a empresa
patrocinadora apoiou abertamente candidato que hoje vota favoravelmente a
vários temas de interesse da empresa patrocinadora;
•
alteração irregular do Plano de Benefícios BrTPrev;
•
colocação de plano de benefícios em extinção,
contrariando decisões do Conselho Deliberativo;
•
descumprimento de acordo firmado com as entidades denunciantes, a respeito
dos serviços a serem disponbilizados após a mudança
de sede da entidade;
•
prejuízos à gestão da entidade, com a troca constante
de dirigentes em desacordo com o estatuto;
•
vedação aos conselheiros de registrarem declarações
de voto em atas do Conselho Deliberativo;
•
imposição irregular de passivo atuarial e financeiro aos participantes
remanescentes da migração;
•
cerceamento à atuação do Conselho Fiscal, desautorizando
a contratação de técnico atuarial;
•
utilização da rentabilidade das cotas dos participantes do
plano BrTPrev para cobrir custeio administrativo de responsabilidade exclusiva
da patrocinadora.
Todas estas denúncias já haviam sido encaminhadas à Secretaria.
Nenhuma resposta foi dada aos representantes dos participantes e nenhuma
providência foi tomada pelos gestores da SPC, que tem a obrigação
legal de fiscalizar as entidades de previdência complementar e proteger
os participantes. Sindicato, Associação de Aposentados e Anapar
cobraram, novamente, providências e resposta por parte do Secretário
da Previdência Complementar, para sanar as irrregularidades e evitar
que outras continuem acontecendo, solicitando inclusive, caso não
seja solucionado estes problemas, que a SPC, nomeie um Diretor Fiscal
“
Queremos que a SPC atue e cumpra o seu papel de defender os participantes”,
diz Itamar Prestes Russo, diretor da Anapar e conselheiro deliberativo eleito
da Fundação BrTPrev.
Alterações de regulamento – Os representantes dos participantes
solicitaram, ainda, que a SPC se abstenha de aprovar qualquer alteração
no regulamento do plano BrTPrev enquanto não forem resolvidas estas
questões e enquanto a SPC não dê resposta aos seus questionamentos.
Além destas questões, os representantes dos participanres também
denunciaram que nos últimos extratos disponibilizados pelo site da Fundação,
foram constatadas quedas absurdas na quantidade e valores das cotas.