05 de julho de 2004 - Ano IV - N.º128

27 milhões de brasileiros ocupados
não têm cobertura previdenciária

A Secretaria da Previdência Social analisou os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo IBGE em 2002, e chegou a números estarrecedores. 27 milhões de brasileiros ocupados não têm cobertura previdenciária. Somados aos outros tantos milhões que estão desempregados, concluímos que mais da metade dos trabalhadores brasileiros não têm acesso à previdência pública e estão condenados a trabalhar até a morte ou a sobreviver, na velhice, da assistência social do Estado brasileiro ou da ajuda de familiares. Isto tudo em um país cuja Constituição Federal garante que a Previdência é pública e obrigatória.

O estudo da Secretaria da Previdência Social divulgado nos últimos dias mostra que, daquele total, 9,8 milhões não têm renda suficiente para aderir à Previdência Social, por receberem menos de um salário mínimo mensal. Devem ser alvo de programas públicos de assistência social.

Dos outros 16,9 milhões, que estariam aptos a aderir à previdência, 13,7 milhões ganham entre 1 e 3 salários mínimos, 2,8 milhões recebem de 3 a 10 salários mínimos e somente 400 mil ganham mais de 10 salários mínimos. Se somarmos os que recebem menos de um salário mínimo, veremos que 87% dos ocupados ganham menos que 3 salários mínimos, ou R$ 780.
Quanto à idade, 6,4 milhões têm até 29 anos, 4,8 milhões entre 30 e 30 anos, e 5,7 milhões já passaram dos 40 anos.

A falta de cobertura previdenciária mostra a brutal informalidade existente no mercado de trabalho brasileiro e atinge com muito maior rigor as camadas mais baixas da população. Cabe ao Governo Federal fiscalizar com maior rigor, obrigar os empregadores a inscrever seus funcionários no INSS e criar mecanismos para incentivar empresas e autônomos a fornecer a cobertura previdenciária obrigatória.

Esta legião de brasileiros sem INSS deixa claro o limite para o crescimento da previdência complementar, cujo público-alvo são os cidadãos que têm renda maior que dez salários mínimos.

 

Versão para impressão