14 de julho de 2004 - Ano IV - N.º129

Participantes da PETROS lutam pela solução dos problemas do seu Plano de Previdência

Na Petrobrás, os participantes continuam lutando pela manutenção do seu Plano de Previdência Complementar, o Plano PETROS, além de buscar soluções para os problemas que o Plano tem, fruto de vários erros de gestão cometidos pelas administrações anteriores da patrocinadora e do Fundo.

Em 2001, a antiga administração da Petrobrás tentou liquidar o Plano PETROS, através de um processo ilegal de migração de suas reservas para um plano híbrido, denominado Plano Petrobrás Vida (PPV), e o fechamento - unilateral e ilegal - do Plano PETROS para seus novos empregados. A empresa pretendia conseguir a adesão da grande maioria dos participantes, através de incentivos financeiros para os assistidos (2,5 benefícios brutos) e de várias promessas de melhorias na concessão de benefícios, tais como a possibilidade do participante sacar 10% da sua reserva matemática individualizada.

Apesar destes incentivos e de uma campanha milionária, a diretoria da Petrobrás não atingiu seus objetivos: somente 65% dos assistidos e 10% dos participantes ativos migraram para o PPV. Os sindicatos, a associação dos engenheiros e algumas associações de aposentados fizeram intensa campanha contra a migração, e a resistência dos trabalhadores surpreendeu a própria empresa.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) ingressou com uma série de ações jurídicas para impedi-la. Em uma destas ações - um Mandado de Segurança impetrado na Justiça Federal de Brasília, contra o ato do Secretário de Previdência Complementar que aprovou o PPV, a FUP conseguiu uma liminar que suspendeu a migração. Apesar de várias tentativas para cassá-la, até o final de 2002 a liminar foi mantida, sendo cassada somente em 2003, já com uma nova administração na Petrobrás e na PETROS. Mesmo assim, a migração continuou suspensa, após entendimento entre a FUP, Petrobrás e PETROS.

Em setembro de 2003, participantes e patrocinadores decidiram formar um Grupo de Trabalho de Previdência Complementar, o GTPC, para elaborar soluções para o Plano PETROS e para a gestão do Fundo. O Grupo, formado por 05 representantes da FUP, 03 da Petrobrás e 02 da PETROS, concluiu seus trabalhos em março de 2004.

Em maio, o Mandado de Segurança da FUP foi julgado pelo Juiz da 14a Vara Federal de Brasília, Charles Renaud, que, numa importante sentença de mérito, anulou o PPV, acatando as teses defendidas pelo assessor jurídico da FUP, Luís Antônio Castagna Maia: ilegalidade do PPV e da migração, face à indivisibilidade das reservas constituídas no Plano PETROS.


Participantes querem solução

Atualmente, a direção da Petrobrás está analisando as propostas elaboradas pelo GTPC. Entre elas, destaca-se o saldamento do Plano PETROS. Nesta hipótese, a empresa assumiria e contrataria todos os déficits do Plano, garantindo o pagamento dos benefícios contratados até o saldamento para todos os participantes e assistidos.

Outras questões também precisam ser resolvidas, tais como a eliminação da exigência do patamar de idade (55 anos) para quem ingressou no Plano desde a edição do decreto 81.240/79, a correção da forma de cálculo das suplementações das pensões, a cobertura previdenciária para os empregados novos que estão sem Plano e a isonomia entre os assistidos migrados e os que não migraram devido à extinção do PPV.

A expectativa dos participantes é que a empresa, em breve, apresente uma proposta que contemple as reivindicações deles e que seja iniciado o processo de negociação com a FUP. A ANAPAR, estará acompanhando este processo, contribuindo para a superação dos impasses e, caso necessário, não hesitará em tomar - conjuntamente com a FUP - as medidas necessárias para solucionar os problemas dos participantes da PETROS.

 

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