Notícias da Previdência
Anfip (21/01/2008) Previdência: 85 anos de história e muita
resistênciaO processo constituinte, nascido em 1988, produziu grandes avanços no campo
social. Entre eles, citamos o da Seguridade Social. Seu conceito: “um conjunto de ações
destinadas a assegurar direitos relativos à saúde, previdência e assistência social”; os
princípios e a identificação com a cidadania, com uniformidade, equidade e universalidade; e
o seu Orçamento próprio (o principal instrumento de efetivação desses direitos, com
pluralidade de fontes de financiamento e programações de despesas dos órgãos responsáveis
pela prestação dessas funções públicas).
Daí o financiamento dessas ações ser
definido como um encargo da sociedade em seu conjunto e os riscos são cobertos não como mera
contrapartida de contribuição individual, mas como obrigações assumidas pela Seguridade
Pública, enquanto instrumento de política social.
Nesse aspecto, a não
efetivação do Orçamento da Seguridade Social, separando-o do Orçamento Fiscal, e a subtração
de suas receitas exclusivas, inclusive com a extinção da CPMF, põem em risco os direitos que
a Seguridade deveria garantir.
A Previdência Social inserida nesse contexto (um
dos pilares da Seguridade Social), que completa 85 anos neste ano (mesmo sua existência
anterior ao conceito de Seguridade Social definida em 1988), mostra-se cada vez mais
atuante, principalmente nos lugares mais distante deste Brasil. Com 25 milhões de benefícios
em manutenção, alcançando mais de 70 milhões de brasileiros (sendo inclusive responsável
pela redução do nível de pobreza), dá a exata dimensão de sua grandiosidade. Entretanto, as
sucessivas reformas, a falta de estabilidade das regras, o discurso da falência, entre
outros, geram como conseqüência a instabilidade de suas ações.
Mesmo assim, a
Previdência Social, como elemento de política pública, deve ter sua missão pautada num
sistema solidário e suas ações são fundamentais para a busca da cidadania de seu povo.
Porém, de outro lado, entram os argumentos de natureza fiscal.
Para
estes não há solidariedade e cooperação, princípio que fundamenta a Previdência Social. O
motor da sociedade, para eles, é a competição predatória e selvagem entre os cidadãos. Os
defensores desse modelo econômico estão a exigir mais uma reforma previdenciária, a fim de
subtrair a capacidade estatal de efetivar direitos e estão a aprofundar raízes de outros
interesses que primam pelo individualismo, em contraposição à construção social e coletiva
dos serviços públicos.
A não implementação de várias dessas decisões, em
especial a não segregação do Orçamento da Seguridade Social do Orçamento Fiscal, coloca em
risco a efetividade de muitos desses direitos, especialmente os relacionados à Previdência
Social.
Mesmo assim, esse sistema tem, ao longo desses anos, se mostrado muito
ativo e resistido às intempéries dos reformistas de plantão, levando para a população um
pouco de cidadania tão almejada por todos nós. (Floriano José Martins)
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