A relação predatória e concorrencial dos Planos de Saúde com o SUS

De: 17 de setembro de 2019 Notícias

Por: João Vitor Santos | 16 Setembro 2019 – Instituto Humanitas Unisinos

saúde pública e a saúde privada no Brasil nascem quase como irmãs, mas na medida em que o Estado começa a conceber um sistema universal, a saúde privada inicia movimentos de subsistência que vão além da oferta de alternativas suplementares. “Não há uma verdadeira relação de suplementaridade entre o SUS e os planos e seguros de saúde, nem tampouco uma lógica sanitária sistêmica no funcionamento deste espaço de transações comerciais. A lógica dominante é a do ‘cada um por si’”, observa o doutor em Saúde Coletiva José Antonio Sestelo. A questão se complexifica quando o Estado vai agir na regulação desse comércio e, nesse novo cenário, as empresas passam por uma metamorfose em que precisam tanto do lucro da relação com clientes como da expropriação do Estado para assegurar a rentabilidade.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-LineSestelo observa que “o comércio de planos e seguros de saúde não quer se apresentar, e não se apresenta, como uma ameaça de extinção para o sistema público”. O que de fato se quer é “controlar, ajustar e subordinar o funcionamento do SUS à lógica de acumulação privada de capital e concentração de recursos assistenciais para uso preferencial dos seus clientes situados nos estratos mais altos de renda”. Por isso diz que não se pode perder a perspectiva política dessa relação. “A voracidade das empresas precisa ser compreendida também em seu componente político e nos riscos produzidos pelo aviltamento das condições básicas de reprodução da força de trabalho de grandes contingentes populacionais”, salienta.

O resultado desse processo, segundo ele, é que “o tema ‘saúde e assistência’ aparece apenas como uma paisagem em que o centro da cena é ocupado pelo processo de acumulação de capital e apropriação privada de um bem de relevância pública”. Por isso, considera fundamental que se apreenda o que está por trás dessas investidas que, segundo Sestelo “podem ser analisadas em duas grandes vertentes”. “A primeira contempla o objetivo estratégico de ganhar escala comercial com a venda de planos populares segmentados e com oferta limitada de serviços”, aponta. E completa: “a segunda está voltada a puncionar o orçamento público em um mecanismo de acumulação primitiva, que pretende transformar, em um passe de mágica, o que ontem era de domínio público em ativos privados vendáveis”. “É importante dar nome aos bois e não chamar bezerro de cabrito”, dispara.

Leia a entrevista completa aqui.

Scroll Up
WeCreativez WhatsApp Support
Nossa equipe de atendimento está on-line. Preencha os dados abaixo e Fale Conosco!
👋 Olá, como posso ajudar?