Fundos: Mercado espera que Vale reduza dividendos

De: 18 de janeiro de 2013 Clipping

A Vale provavelmente anunciará até o fim do mês o valor dos dividendos mínimos a serem pagos pela empresa aos acionistas em 2013. No dia 31, em reunião do conselho de administração, a diretoria executiva da companhia submeterá proposta de remuneração aos conselheiros. Analistas de bancos e consultorias ouvidos pelo Valor apostam em proventos entre US$ 2,4 bilhões, US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, compatíveis com a estratégia de austeridade adotada pela mineradora.

Pelos números estimados pelos analistas, a expectativa é de forte redução dessa distribuição de proventos em relação ao retorno de caixa de US$ 6 bilhões pago aos acionistas em 2012. Apesar do valor alto, pela primeira vez a empresa não deu cota extra de dividendos.

Os efeitos da crise internacional sobre o seu caixa, que encolheu com a queda do preço do minério, na média do ano de US$ 130 a tonelada no spot, ante US$ 169,20 em 2011, levou a mineradora a tomar esta decisão.

O Goldman Sachs, em relatório recente, estima para este ano uma distribuição de dividendo mínimo de US$ 3 bilhões pela Vale, metade do total pago no ano passado. Marcelo Aguiar, analista sênior do banco americano, não afasta a possibilidade da empresa anunciar algum extra no decorrer de 2013, a depender de uma melhora nos seus resultados.

As projeções do banco americano são de um lucro de US$ 13,4 bilhões para a Vale em 2013, mais do dobro dos US$ 6 bilhões que estima para a empresa em 2012. O fraco resultado esperado para 2012 – uma queda de 73,8% no lucro do ano ante US$ 22,9 bilhões ganhos em 2011 – embute um prejuízo para a companhia no último trimestre de 2012, avaliado por analistas entre US$ 3 a US$ 4 bilhões.

O prejuízo é esperado em função da baixa contábil no balanço do quarto trimestre de US$ 4,3 bilhões nos ativos de níquel e alumínio, anunciada pela mineradora no fim do ano. A Vale reconheceu no comunicado que o impairment antes de impostos impactará seu resultado no ultimo trimestre de 2012.

O Itaú BBA e o Santander estão mais otimistas que o Goldman e trabalham com um valor de US$ 4 bilhões para os dividendos mínimos de 2013 a serem pagos em duas tranches de US$ 2 bilhões cada: uma em abril e outra em outubro, como é de praxe na Vale. O Credit Suisse, mais cauteloso, prevê remuneração aos acionistas de apenas US$ 2,4 bilhões.

Como exigência da lei das SA a Vale, assim como todas as demais empresas brasileiras de capital aberto, têm a obrigação de distribuir 25% do lucro líquido do ano anterior aos acionistas.

Em geral, porém, a direção da companhia costuma se pautar mais no que estima de geração de caixa para a empresa em 2013 para calcular o valor dos dividendos para o ano em curso.

A Vale em 2013 estará às voltas com um resultado mais fraco (de 2012) e um plano de investimento agressivo. Consequentemente, vai sobrar menos dinheiro para o acionista. A empresa terá que buscar o equilíbrio entre tocar os investimentos e dar retorno aos acionistas.

O clima de incerteza global tem levado as mineradoras a adotarem uma postura de cautela na gestão do caixa e dos negócios. A gigante Rio Tinto, como foi noticiado ontem, também informou uma baixa contábil de US$ 14 bilhões no seu resultado de 2012, mais de três vezes a anunciada pela Vale. A medida culminou com a saída do CEO, Tom Albanese.  (Vera Saavedra Durão)

Fonte: Valor Online

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