Fundos: Vale – Continuidade de Murilo Ferreira

De: 28 de março de 2013 Clipping

Os acionistas controladores da Vale se anteciparam e em reunião do conselho de administração da companhia, conforme adiantou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, votaram por unanimidade a favor da continuidade de Murilo Ferreira por mais dois anos à frente da companhia, a partir de maio.

A decisão do grupo de controle da mineradora derruba os rumores de que os acionistas estavam insatisfeitos com a atuação de Ferreira e que, portanto, ele seria substituído.

A decisão dos acionistas ajudou a eliminar incertezas em relação ao futuro da companhia e deixa claro para o mercado que não haverá mudanças no próximos dois anos no grupo de comando capitaneado por Ferreira.

Decisão de controladores derruba rumores de que presidente da Vale seria substituído.

Para Marco Geovanne, diretor de participação da poderosa Previ, maior controladora da Vale, “Murilo conta com a plena confiança dos acionistas”. A seu ver, o executivo é o gestor que o ambiente atual de negócios requer, pois está comprometido em melhorar o ambiente operacional da companhia,  focado em disciplina na alocação de capital e em agregar valor para os acionistas.

“Ele (Murilo) conhece o negócio, é competente, humano, tem maturidade e apoio da equipe para enfrentar os desafios que a situação atual impõe e tem conseguido manter a companhia neste ambiente mais inóspito para as commodities”, afirmou Geovane.

Da parte dos analistas, há otimismo em relação ao CEO da Vale. Marcelo Aguiar, do Goldman Sachs, destaca que a Vale está inserida hoje num cenário global muito diverso da época do Roger Agnelli e por causa desta mudança tem que alterar “o modus operandi” na empresa. Adicionado ao cenário global, Aguiar destaca que Murilo e sua equipe estão encontrando também incertezas regulatórias no Brasil as quais o governo está demorando muito a solucionar.

“Este mar que o Murilo e seus diretores estão navegando é um mar muito mais revolto que o anterior e que os investidores não gostam de navegar. Isso não impacta só a Vale, mas todas as mineradoras. Por conta desta situação, a empresa precisa de um gestor como ele, com foco no corte de custos, de despesas, menos projetos e menos exploração. A agenda do Murilo para este mar revolto é perfeita”, diz o analista.

Ivano Westin, analista de mineração do Credit Suisse, avalia que a Vale precisa hoje de um CEO menos agressivo e expansionista em termos de crescimento. “A empresa precisa de um gestor com foco mais no retorno de capital, que esteja avançando em alguns pontos que a empresa estava atrasada, como a licença ambiental do S11D (projeto de minério de ferro de Carajás, no Pará), foco em controle de custo, desinvestimento em ativos fora do principal negócio e retorno maior para os acionistas”.

Tanto Westin quanto Aguiar avaliam que é importante recuperar as operações de metais básicos, como níquel e cobre, que podem ser grandes geradores de caixa para a companhia.

De modo geral, os analistas consultados pelo Valor não atribuem a Murilo o fato das ações da companhia estarem hoje em baixa performance. Para Aguiar, as ações não estão reagindo porque ainda está no início de um processo de busca pela rentabilidade. “Há ainda muitas incertezas no ar, principalmente em relação as questões tributárias e do novo marco regulatório que influencia no preço das ações”, afirmou.

Os investidores têm confiança no gestor da Vale, mas ainda estão naquele momento de “esperar para ver” se a política de corte de custos, foco em minério, carvão, níquel e cobre e fertilizantes vai dar os resultados esperados. Para o Goldman Sachs, se ele for bem sucedido nessa agenda poderá ganhar cada vez mais o apoio dos investidores, principalmente os estrangeiros.

Fonte: Valor

Scroll Up