Prazo é curto para lutar contra a reforma da Previdência: trabalhadores devem estar mobilizados nos estados para dialogar com os senadores

De: 3 de setembro de 2019 Notícias

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar amanhã, 04/09, o relatório preliminar da PEC 06/2019 (da reforma da previdência), elaborado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e que recebeu cerca de 400 emendas. A expectativa, de acordo com o senador Paulo Paim (PT-RS) é de que o plenário vote a reforma no dia 24 de setembro.

O senador Jacques Wagner (PT-BA) alerta que o tempo é curto e que a batalha não deve ser travada só no Senado, mas também nas ruas, nos estados, nas cidades onde os senadores moram, nos aeroportos. “É ótimo que vocês participem dos debates aqui em Brasília, mas precisamos conversar com os senadores em seus estados, sem agressão, usando os argumentos que temos contra esta reforma”, afirmou, durante audiência pública realizada hoje (03/09) no Senado. Para Wagner, os sindicatos e demais entidades de classe devem mobilizar os trabalhadores e dialogar com os senadores. “São apenas três por estado.” Ele afirma que não é justo que este governo queira colocar nas costas dos trabalhadores os desequilíbrios das contas públicas. “Temos muitos argumentos, nossas assessorias produziram muitos estudos, temos realizado muitos debates. O governo não tem argumento, só mentiras”, reforçou o senador baiano. Para além do contato pessoal, quem quiser pressionar os senadores de seu estado para votar contra a PEC 06/19, pode acessar o link https://napressao.org.br/campanha/querem-o-fim-da-sua-aposentadoria e seguir as instruções de como mandar e-mail para os parlamentares.

Durante a audiência pública e ato contra a reforma da Previdência, organizada pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, José Celso Cardoso Jr, da Afipea, entidade que representa os servidores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), alertou para o fato de que a reforma da Previdência faz parte de uma reforma mais ampla de desmonte do Estado brasileiro, do desenvolvimento econômico e social do país. A contrário do que o governo afirma, esta reforma aprofundará ainda mais a crise que enfrentamos desde 2016”, afirmou. Para ele, o que se apresenta é uma catástrofe humanitária.

Ricardo Berzoini, que foi ministro da Previdência durante o primeiro ano do primeiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva, também presente na audiência, disse que não seria contra uma reforma que alterasse as formas de acesso dos brasileiros ao sistema de proteção social. No entanto, esta rasga a Constituição Federal. Uma das preocupações do ex-ministro é que a capitalização volte em forma de outra proposta de emenda à Constituição, já que foi derrubada na Câmara dos Deputados. Ele lembrou, ainda, que cerca de 40% dos brasileiros ficarão sem acesso à Previdência Social e o restante terá seus benefícios reduzidos. “É roubar 1,3 trilhão de reais dos mais pobres, dos idosos, nos próximos dez anos para tentar salvar este governo.” Ele também ressaltou a necessidade de mobilização dos trabalhadores, dos sindicatos e demais entidades para tentar barrar essa “reforma perversa”. “A pressão não é aqui no Senado, só. A pressão é nos estados. É procurar o escritório de cada um deles [dos senadores] nos estados. É acompanhar a agenda, estar presente em todas as agendas. Nós somos milhares de sindicatos no Brasil. Não é possível que o sindicato não consiga se organizar para isso.”

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, destacou o papel bicameral do Congresso Nacional, em que o Senado é a casa revisora e não “apenas um cartório de homologação” dos projetos que saem da Câmara dos Deputados. “A proposta arrebenta a economia do país, dos municípios menores. É um assalto ao trabalhador. Este governo desconhece que há trabalhadores que não chegam aos 65 anos trabalhando e que não consegue comprovar 40 anos de contribuição, porque não há emprego neste país.”

A Anapar também esteve presente na audiência pública de hoje e sempre acompanhará e participará de debates sobre Previdência Social, Previdência Complementar e autogestão em saúde para defender os direitos dos participantes.

Na próxima semana, haverá novo debate sobre a reforma da previdência, desta vez no plenário do Senado, com a participação de especialistas que defendem a medida. Por isso, é importante a participação de todos, se não presencialmente, via portal do Senado (www.senado.leg.br) para enviar dúvidas.

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