Previ, Funcef e BRZ contestam fusão da ALL

De: 28 de fevereiro de 2014 Clipping

Os fundos de pensão Previ e Funcef e a gestora de recursos BRZ ALL, donos de 30,4% do bloco de controle da concessionária de ferrovias América Latina Logística (ALL), estão contratando, em conjunto, um banco para ser seu adviser financeiro, com o fim de avaliar a proposta da Rumo Logística para incorporação da ALL. E, com isso, representar seus interesses no negócio.

O objetivo é passar um pente fino na proposta, formalizada na última segunda-feira, e, daí, decidir se a aprovam ou a recusam. Os três acionistas da ferrovia, segundo apurou o Valor, estão insatisfeitos com os termos do negócio e com a forma como ele foi conduzido pelos dois acionistas relevantes da companhia – Wilson De Lara e Ricardo Arduini.

Se prevalecer essa condição, o plano de fusão entre a ALL e a Rumo vai naufragar. Para sua aprovação são necessários 75% dos votos do bloco de controle. Mas De Lara e Arduini têm 53%, enquanto o BNDES, que vê com bons olhos a união, é dono de 16,6%.
A oferta da Rumo, controlada do grupo Cosan, de energia (açúcar, etanol e gás) e infraestrutura, avaliou a ALL em R$ 6,95 bilhões, o equivalente a R$ 10,18 por ação da empresa. Na nova configuração societária, os acionistas da Rumo (Cosan, Gávea e o fundo TPG) ficariam com 36,5% do capital da nova companhia de logística ferroviária, rodoviária e portuária.

Previ, Funcef e BRZ apontam, entre outras, três razões pelas quais resolveram questionar a fusão, cujas negociações começaram há três meses sob a coordenação da butique de fusões e aquisições Estáter, de Pércio de Souza.

O primeiro motivo diz respeito justamente à Estater. As fundações e a BRZ não concordam com o valor ("fee") de pagamento definido para a empresa de Souza como adviser da operação. Ela, inicialmente, foi contratado para ajudar a ALL a buscar uma solução para a briga judicial (ação na Justiça comum e em uma câmara de arbitragem) sobre um contrato de transporte de açúcar firmado com a Rumo cinco anos atrás. Daí, seu papel evoluiu para desenhar uma reorganização societária envolvendo as duas empresas em conflito.

Os três acionistas querem rediscutir o "fee" acertado com a Estáter, para eles considerado muito elevado. Procurada, a Estáter preferiu não comentar o assunto e a posição dos três acionistas do bloco de controle da ALL. A direção da BRZ também informou que não comentaria.

A segunda razão do desagrado das duas fundações e da BRZ, conforme apurou o Valor, refere-se à desistência ao plano de capitalização de R$ 1 bilhão que seria feita na Rumo por seus acionistas, a qual comporia a proposta de fusão. Esse item foi tirado da pauta, conforme noticiou o Valor na sua edição de 13 de fevereiro, porque iria requerer um longo tempo, o que acabaria atrasando a operação.

O terceiro motivo, questionado inclusive na primeira tentativa de entrada da Cosan na ALL, em 2012, é o temor de que a nova companhia se transforme em centro de custo da Rumo. Durante teleconferência da Cosan, na segunda-feira, para detalhar a operação, foi informado que está prevista a criação de um Comitê de Partes Relacionadas justamente para gerir esses conflitos. Com cinco representantes dos acionistas, a Cosan teria apenas um e não votaria.

Ontem, durante conferência sobre o balanço da Cosan, o presidente do grupo, Marcos Lutz, disse que "a companhia sempre se prepara para "tudo", em resposta à uma possível rejeição dos acionistas da ALL à operação.

"A gente sempre se prepara para tudo, uma proposta sempre pode ou não ser aceita", afirmou Lutz. "Obviamente, a gente pôs na mesa uma proposta que consideramos bastante geradora de valor para todas as partes, inclusive para os acionistas minoritários da ALL. Vimos isso nas ações da ALL, que reagiram muito positivamente, desde o vazamento – que o próprio Valor fez -, até a comunicação oficial do deal negócio, afirmou Lutz.

"Os outros sócios têm sempre a capacidade de optar por tudo que eles têm direito na governança. O que nos cabe, no momento, é realmente aguardar e escutar os próximos capítulos", disse o executivo.

Fonte: Valor Online

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