Professor da Unicamp defende que o Estado tem que gastar para combater a crise

De: 3 de maio de 2020 Notícias

O professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Rossi, em entrevista ao Canal Previdência, programa da Anapar em parceria com a TV 247, afirmou que não há restrições técnicas que impeçam o Estado de gastar, e defendeu que isso seja feito para combater a crise econômica aprofundada pela pandemia do coronavírus. O que há, segundo Rossi, são regras políticas que podem ser alteradas para beneficiar a luta contra a pandemia. “Não há restrição financeira para o governo fazer o que tem que fazer. O governo tem mecanismos, o governo pode criar meios de pagamento, pode alocar recursos. Essa é a mensagem central”, disse.

De acordo com Rossi, o caminho é a criação de meios de pagamento pelo governo, o que não precisa ser, necessariamente a impressão de dinheiro. “O Estado simplesmente pode gastar, e como ele faz isso? Emite um meio de pagamento. Não precisa ser literalmente imprimir dinheiro, é simplesmente a invenção, é contábil, você coloca ‘o Estado vai fazer um gasto em saúde no município tal’, e então ele coloca um dinheiro na conta tal que vai ser usado para o gasto de saúde, ele inventa meio de pagamento, ele não tem restrição técnica para isso, ele tem restrições políticas, regras, que podem ser tiradas de lado para fazer isso.”

Contra o argumento de que a criação de meios de pagamentos poderia gerar inflação, o economista ressaltou que o Banco Central pode intervir, retirando dinheiro do mercado e aumentando a dívida pública, o que impediria um movimento inflacionário.

Pedro Rossi disse que é preciso esclarecer que o Estado não funciona economicamente como uma família já que esta não define sua receita, que não pode imprimir dinheiro e que não determina os juros que pagarão por cada dívida. “O que a gente tem que tirar da cabeça das pessoas é a ideia de que o Estado é como uma família, é a ideia de que o Estado não tem dinheiro, que está quebrado. Há algumas semanas, o gasto público era o grande problema do Brasil, agora é a grande solução, é uma ideia completamente equivocada do funcionamento da máquina pública e da relação entre política fiscal e política monetária. A ideia de que não tem dinheiro pressupõe que o Estado de não tem capacidade de alocar recurso, de taxar, de imprimir dinheiro é completamente equivocada. O Estado é muito diferente de uma família, o Estado determina quanto ele arrecada, tem uma máquina de fazer dinheiro dentro de casa e emite um papel, chamado dívida pública, ao qual ele define uma taxa de juros sobre esse papel.”

Assista aqui o programa na íntegra

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